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Despertei de um sono mágico. Um estado em que não estava a dormir, nem
morto. Estava fora do meu corpo, aprisionado numa armadilha que o baú que
tentara abrir encerrava.
Estavam todos naquele local, acordando também do sono.
Todos menos Cloack que sorria, contente por nos ter conseguido libertar.
Pelo que consegui apurar, o que aconteceu foi o seguinte. Quando eu fui
subitamente sugado para dentro do baú, Kilvak ficou sozinho. E na
esperança de conseguir ele mesmo abrir o baú e soltar-me, levantou
novamente a tampa e foi igualmente sugado. À medida que o
tempo passava e eu e Kilvak não dávamos notícias, Asch e Rambó
decidiram ir à nossa procura. Percorreram as salas, descobriram vários
objectos interessantes, e acabaram por ter à sala onde estavam os cinco
baús. Rambó como Rogue que é, não tardou a conseguir evitar as
armadilhas dos baús e abri-los a todos, com excepção de um único baú:
aquele em que nós estávamos! Quando tentou desarmadilhar esse, foi
igualmente sugado. O azar perseguia-nos. Asch tinha entrado numa esférica
mágica e estava transformado numa criatura grotesca. Perdera com isso
também muita da pouca inteligência. Tentou a sua sorte e foi sugado
também. Só uma pessoa restava para salvar toda a
situação: Cloack! Sozinho, seguiu as portas abertas por nós e descobriu
a sala dos baús. Entrou e viu todos os outros baús abertos. Começou por
apanhar tudo o que tinha lá dentro. É que Rambó, com a ânsia de abrir
todos os baús, até se esquecera de retirar o seu conteúdo! Cloack
chegou finalmente ao fatídico baú que nos tinha a todos cativos, e com
naturalidade abriu-o e resistiu ao feitiço da armadilha, libertando-nos a
todos. O Cloack, Clérigo de quarto nível, salvara toda a Party, e
merecia o agradecimento de todos. Se ele não tivesse sucesso estaríamos
todos irremediavelmente perdidos! Saímos daquela
sala e eu fui instigado pela curiosidade e cobiça até à sala onde
estavam as vitrines com os anéis e a armadura. Com as minhas luvas de
combate evitei o veneno e coloquei a leve armadura no meu saco. E com o
poder de mexer objectos retirei o anel que estava preso ao fio. Não
aconteceu nada. Tirei o fio e guardei o anel. Os outros tinham também
encontrado objectos mágicos: o Asch encontrou uma espada de dente de
dragão e umas armaduras; o Cloack uns livros mágicos; só o Rambó não
se parecia interessar por nada, ficando apenas com uma Wand.
Todas as salas tinham sido agora revistadas e nós não conseguíamos
encontrar uma saída. Começamos a procurar portas escondidas e não
demorou muito para o nosso Rogue encontrar a saída. A porta dava para um
corredor, o qual terminava numa porta. Mal nos aproximamos surgiu do nada
um homem corpulento a dizer que não passássemos pela porta, senão
iríamos morrer. Não fizemos caso e o Rambó começou a destrancar a
porta. Entramos e vimos que tínhamos atingido o nosso objectivo. Uma
grande biblioteca com prateleiras a perder de vista estava à nossa
frente. E no centro, um homem lendo um livro que flutuava à sua frente.
- Bem vindos! São servidos de uma chávena de chá? -
Não, obrigado - respondi, pois não era a primeira vez que me serviam
comida envenenada, e decidi não arriscar. O Asch e o Rambó aceitaram e
comeram umas bolachas com chá. - Você é que é o
Mnemnosyne? - Tenho muitos nomes em muitas terras, mas
posso que dizer que sim, sou Mnemnosyne. A alegria
percorreu todos. Estávamos há meses naquela maldita ilha, e o fim
parecia agora finalmente próximo. - Temos uma pergunta a
fazer-te, e esse foi o motivo que nos trouxe cá. - As
respostas não são de graça. Podem pagar-me com um favor ou com
dinheiro. Como preferem? - Com um favor. Não temos
grandes quantias de dinheiro. Agora a pergunta: Queremos saber qual a
origem do vortex invertido que paira sobre o Continente. -
O vortex é um mau sinal. Significa que uma Ordem religiosa se prestou a
chamar um deus à terra. Deus esse que se não for impedido de regressar,
matará tudo e todos. Para o chamar têm que ser construídos cinco
templos, e um deles terá de ser construído neste continente. O favor que
vos obrigo a fazer é encontrar esse templo e destrui-lo. Agora saiam que
tenho muito que fazer! Saímos finalmente daquele lugar e
dirigimo-nos à cidade. Estivemos mais um mês no tal "templo do
saber" para tentarmos pela última vez evoluirmos muito em apenas um
mês. Mas não conseguimos fazer cada um o seu curso e ao fim de um mês
decidimos então voltar para o continente. Encontramos um barco que tinha
o nosso destino e embarcamos sem mais demoras. Chegamos
passado uma semana, e descobrimos que os cavalos que deixáramos na cidade
portuária tinham sido vendidos. O homem que tinha ficado com eles pensou
que nós já não voltávamos. Depois de ele nos dar novos cavalos
partimos para Arcapan, para dar notícias ao Dakkar, o nosso comandante.
Não havia tempo a perder. Os exércitos do sul já tinham invadido grande
parte do continente e rumores diziam que Arcapan cairia dentro de poucos
meses. Tínhamos de ir a Hommlet, a aldeia perto do local do templo do
mal, recrutar milicianos e atacar o templo. Mas antes iríamos
passar pela casa de armas para identificar todos os objectos mágicos que
tínhamos encontrado. Existiam imensos objectos de grande valor. A minha
armadura era de Mithril, de fabrico élfico, com bónus de defesa
aumentados magicamente. Um dos anéis que eu possuía era caríssimo e
vendi-o, comprando com o dinheiro um arco fabuloso. O melhor daquela loja.
Entretanto fizeram-se de objectos entre nós. O Kilvak comprou uma espada
e uma armadura muito boas. O Cloack vendeu algumas coisas e comprou uma
espada também, e etc. Parecia que o mercado capitalista tinha invadido a
loja de armamento. Seguimos depois para o meu Castelo, e
verifiquei que depois de meses de trabalho, Arien, o encarregado, fizera
muita da reconstrução necessária. Havia já mobiliário e estruturas
completas. Seguimos depois para Hommlet, mas pelo caminho fomos atacado
por um gigante das montanhas. O gigante era bastante forte. Ainda nos fez
alguns estragos, mas com as novas armas e armaduras que possuíamos estávamos
nós muito mais fortes que ele, e acabamos por vencê-lo com
naturalidade...
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