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by Takin Tolf

   Despertei de um sono mágico. Um estado em que não estava a dormir, nem morto. Estava fora do meu corpo, aprisionado numa armadilha que o baú que tentara abrir encerrava.
   Estavam todos naquele local, acordando também do sono. Todos menos Cloack que sorria, contente por nos ter conseguido libertar.
   Pelo que consegui apurar, o que aconteceu foi o seguinte. Quando eu fui subitamente sugado para dentro do baú, Kilvak ficou sozinho. E na esperança de conseguir ele mesmo abrir o baú e soltar-me, levantou novamente a tampa e foi igualmente sugado.
   À medida que o tempo passava e eu e Kilvak não dávamos notícias, Asch e Rambó decidiram ir à nossa procura. Percorreram as salas, descobriram vários objectos interessantes, e acabaram por ter à sala onde estavam os cinco baús. Rambó como Rogue que é, não tardou a conseguir evitar as armadilhas dos baús e abri-los a todos, com excepção de um único baú: aquele em que nós estávamos! Quando tentou desarmadilhar esse, foi igualmente sugado. O azar perseguia-nos. Asch tinha entrado numa esférica mágica e estava transformado numa criatura grotesca. Perdera com isso também muita da pouca inteligência. Tentou a sua sorte e foi sugado também.
   Só uma pessoa restava para salvar toda a situação: Cloack! Sozinho, seguiu as portas abertas por nós e descobriu a sala dos baús. Entrou e viu todos os outros baús abertos. Começou por apanhar tudo o que tinha lá dentro. É que Rambó, com a ânsia de abrir todos os baús, até se esquecera de retirar o seu conteúdo! Cloack chegou finalmente ao fatídico baú que nos tinha a todos cativos, e com naturalidade abriu-o e resistiu ao feitiço da armadilha, libertando-nos a todos. O Cloack, Clérigo de quarto nível, salvara toda a Party, e merecia o agradecimento de todos. Se ele não tivesse sucesso estaríamos todos irremediavelmente perdidos! 
   Saímos daquela sala e eu fui instigado pela curiosidade e cobiça até à sala onde estavam as vitrines com os anéis e a armadura. Com as minhas luvas de combate evitei o veneno e coloquei a leve armadura no meu saco. E com o poder de mexer objectos retirei o anel que estava preso ao fio. Não aconteceu nada. Tirei o fio e guardei o anel. Os outros tinham também encontrado objectos mágicos: o Asch encontrou uma espada de dente de dragão e umas armaduras; o Cloack uns livros mágicos; só o Rambó não se parecia interessar por nada, ficando apenas com uma Wand.
   Todas as salas tinham sido agora revistadas e nós não conseguíamos encontrar uma saída. Começamos a procurar portas escondidas e não demorou muito para o nosso Rogue encontrar a saída. A porta dava para um corredor, o qual terminava numa porta. Mal nos aproximamos surgiu do nada um homem corpulento a dizer que não passássemos pela porta, senão iríamos morrer. Não fizemos caso e o Rambó começou a destrancar a porta. Entramos e vimos que tínhamos atingido o nosso objectivo. Uma grande biblioteca com prateleiras a perder de vista estava à nossa frente. E no centro, um homem lendo um livro que flutuava à sua frente.
   - Bem vindos! São servidos de uma chávena de chá?
   - Não, obrigado - respondi, pois não era a primeira vez que me serviam comida envenenada, e decidi não arriscar. O Asch e o Rambó aceitaram e comeram umas bolachas com chá.
   - Você é que é o Mnemnosyne?
   - Tenho muitos nomes em muitas terras, mas posso que dizer que sim, sou Mnemnosyne.
   A alegria percorreu todos. Estávamos há meses naquela maldita ilha, e o fim parecia agora finalmente próximo.
   - Temos uma pergunta a fazer-te, e esse foi o motivo que nos trouxe cá.
   - As respostas não são de graça. Podem pagar-me com um favor ou com dinheiro. Como preferem?
   - Com um favor. Não temos grandes quantias de dinheiro. Agora a pergunta: Queremos saber qual a origem do vortex invertido que paira sobre o Continente.
   - O vortex é um mau sinal. Significa que uma Ordem religiosa se prestou a chamar um deus à terra. Deus esse que se não for impedido de regressar, matará tudo e todos. Para o chamar têm que ser construídos cinco templos, e um deles terá de ser construído neste continente. O favor que vos obrigo a fazer é encontrar esse templo e destrui-lo. Agora saiam que tenho muito que fazer!
   Saímos finalmente daquele lugar e dirigimo-nos à cidade. Estivemos mais um mês no tal "templo do saber" para tentarmos pela última vez evoluirmos muito em apenas um mês. Mas não conseguimos fazer cada um o seu curso e ao fim de um mês decidimos então voltar para o continente. Encontramos um barco que tinha o nosso destino e embarcamos sem mais demoras.
   Chegamos passado uma semana, e descobrimos que os cavalos que deixáramos na cidade portuária tinham sido vendidos. O homem que tinha ficado com eles pensou que nós já não voltávamos. Depois de ele nos dar novos cavalos partimos para Arcapan, para dar notícias ao Dakkar, o nosso comandante.
   Não havia tempo a perder. Os exércitos do sul já tinham invadido grande parte do continente e rumores diziam que Arcapan cairia dentro de poucos meses. Tínhamos de ir a Hommlet, a aldeia perto do local do templo do mal, recrutar milicianos e atacar o templo.
   Mas antes iríamos passar pela casa de armas para identificar todos os objectos mágicos que tínhamos encontrado. Existiam imensos objectos de grande valor. A minha armadura era de Mithril, de fabrico élfico, com bónus de defesa aumentados magicamente. Um dos anéis que eu possuía era caríssimo e vendi-o, comprando com o dinheiro um arco fabuloso. O melhor daquela loja. Entretanto fizeram-se de objectos entre nós. O Kilvak comprou uma espada e uma armadura muito boas. O Cloack vendeu algumas coisas e comprou uma espada também, e etc. Parecia que o mercado capitalista tinha invadido a loja de armamento.
   Seguimos depois para o meu Castelo, e verifiquei que depois de meses de trabalho, Arien, o encarregado, fizera muita da reconstrução necessária. Havia já mobiliário e estruturas completas. Seguimos depois para Hommlet, mas pelo caminho fomos atacado por um gigante das montanhas. O gigante era bastante forte. Ainda nos fez alguns estragos, mas com as novas armas e armaduras que possuíamos estávamos nós muito mais fortes que ele, e acabamos por vencê-lo com naturalidade...